sexta-feira, 19 de setembro de 2008

mais uma

tenho essa mania boba de achar o mundo meio chato quando não tenho no que pensar. faço contradição nos meus pensamentos e engulo a vontade de soltar o verbo. só que às vezes isso me sufoca e eu mato gatos a berro. descobri meu vício de escrever pra viver feliz de palavras. o abstrato significado das palavras, eu não consigo passar pra dentro. é momentâneo mas está sempre em mim. todo dia sinto uma saudade louca daquilo que eu não sei bem o que é. o mundo me faz falta porque meu mundo é ilimitado e não consigo lidar com fronteiras invisíveis. é uma sensação estranha e minhas crises psedos-existenciais vêm e passam com certa freqüência, que particularmente, eu gostaria de ter domínio. tudo bem, esse é mais um dos meus textos subjetivos, pra mim mesma e sem nexo que nunca tem solução. taí, a solução é não pensar em tê-la.
"A você, que nunca pensou que o riso também precisa de aquecimento para não se machucar em rugas, que deseja ler de manhã e viver o que se lê de tarde, e que não lê de manhã e nem vive de tarde, e sobra a noite para fazer de noite.
A você, que é uma promessa de cheiro, de chá, que coloca perfume nos pulsos e no pescoço, que tem receio de chorar onde não se chora, de falar o que não se deveria, que se controla e se autocensura para não se entregar.A você, que passou a vida a disciplinar o desespero, que segura a bolsa perto do quadril, que é suave para olhar de canto.
A você, que está aqui e não se resolve, porque não é aqui que está, mas dentro daquilo que procura. Alguns procuram um endereço; outros, um sentido. "[F. Carpinejar]

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

ponto

você me acordou aquele dia no meio da tarde inventando qualquer coisa boba só pra ouvir essa minha voz meio rouca. você me pediu desculpas e continuou dizendo besteiras com seu jeito expansivo. eu sempre quis você, mas nunca entendi porque diabos eu nunca fiz um texto pra você. e você que sempre foi a pessoa que mais lia meus textos e me fazia assinar todos eles, vá que um dia eu vire escritora, imagine só. e eu adoro te irritar dizendo mentiras pra falar minhas tantas verdades. eu vi lírios nos nossos delírios e achei melhor ficar quieta porque eu não queria estragar tudo. você me mandou trufas de doce de leite e essa foi a coisa mais fofa que alguém já fez por mim. o seu excesso ainda cabe inteiro em mim e ainda tem meus excessos pra gente contar. é que você sempre esteve tão ali, que eu nunca me preocupei com meus "e se...", porque você é a certeza. às vezes eu quero te matar porque você conhece tudo que me deixa brava e usa isto a teu favor. eu digo que não sou ciumenta, mas é mentira. eu fico com raiva das suas piadinhas machistas e da sua falta de grude. adoro tua risada escandalosa quando a gente comenta qualquer trivialidade e você aperta a minha mão pra sentir você. e aquele dia besta na cozinha que você me encarou com aquela cara de possessão, eu já estava perdida. te escrevo todo dia nos meus versos em brancos e descubro que as músicas fazem todo sentido por si só. e foi naquele telefonema que eu atendi numa tarde linda pra amar. e disse sim.

terça-feira, 8 de julho de 2008

a vida deve ser maravilhosa?

tem várias coisas neste mundo que eu não entendo, na boa. tipo essas facilidades que a sociedade cria pra dor não existir. eu não viveria sem sofrer. não tem lógica isso. todos nós precisamos sofrer, chorar, gritar pra descobrir, entender essa coisa toda de pra que se vive. e todas essas pílulas anti-melancolia, revistas de pessoas irreais, conselhos da capricho engavetados pré-congelados? meu Deus, que bando de gente hipócrita. quando mais se vende produtos de uma falsa felicidade mais existem pessoas se autodestruindo. porque deve ser horrível fingir ser aquilo que não é. Ninguém chora mais porque chorar tá fora de moda, aliás, pra que chorar? pra se curar talvez? pra absolver essa angústia permanente de não entender nada. somos todos perdidos vivendo num mundo perdido onde ninguém olha pro lado. teatro mais fantasioso, a gente tá vivendo a vida. não é mais um capítulo da novela das oito onde o mal vence. todo mundo tá torcendo pro mal vencer, é um dilúvio de falsas esperanças. o mundo avança na velocidade da luz (que eu não tenho a mínima de quanto é isso). o homem cria coisas que ninguém tem noção da dimensão do problema. então vamos brindar que o ano novo chegou, o crescimento dos peitos, nossas bundas siliconadas e essas caras de botox todas programadas pra serem felizes torcendo pra ninguém reparar nesse olho inchado. enquanto cada vez mais nos reduzimos a pó.

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Dê vazão!


Eu caminhei kilometros pensando nas pessoas que estariam me falando: é o que tem pra hoje! O que existe agora, tome, se contente com isso, é tudo que está presente aqui, logo, o melhor. Mas ao contrario disso eu só ouço esse silêncio me dizendo: é exatamente o que não tem pra hoje! O que não está posto ao alcance, hahaha olha, foi o que você não conseguiu. É pelo que você vai ter que lutar, é o que me foi prometido. Basta! Eu gritei bem alto em meio a encruzilhada. Aposto que eu e você nesse momento escolheriamos dar três passos sem rumo na lua, eu não quero isso, não mais! Eu quero as coisas certas, saber qual é a proxima rua onde virar, saber cortar caminho. Sei que é muito mais dificil viver a realidade, é mais trabalhoso, é um caminho mais escuro e tortuoso esse de seguir a risca o realismo, e eu quero mais aventura sim! Quero dar a cara a tapa, mostrar aos outros que é isso, sem mais. Quero estar tranquila, sem magia, sem o sol iluminando, um sistema qualquer atuando em hora alguma num palco inexistente. E então você vem comigo?

domingo, 22 de junho de 2008

cinqüenta e dois

como o 100º post deste blog, e pelo dia que é hoje, lá se vai mais um dos meus textos inspirados no mesmo motivo.
eu poderia falar de outra coisa menos estranha que não você. mas hoje é seu aniversário e meu centésimo post aqui. é claro, que o assunto é você. após tanto tempo eu não sei mais que sentimento é este. eu me acostumei a gostar de você, mas eu confesso que tenho lá minha dúvidas quanto a isso. já passou mas eu não sei se eu quero que passe, sabe? eu não sei a hora de parar e não tô nem um pouco afim de aprender. você me arranco do meu mundo e eu vivi dois anos numa vida inventada, emprestada. eu desaprendi a viver só pra mim. e esquecer você me faz esquecer da minha outra metade sensata. eu não posso viver só na loucura, entende. eu queria aprender a ser mulher pra você, mas eu preciso ser mulher pra mim. e eu tenho ciúmes da outra metade de mim ter sido tua. eu me quero de volta. mas agora eu me tenho e não sei se é isso mesmo que eu quero. é uma puta confusão e eu não sei onde eu me encaixo. eu queria te odiar tanto que meu lado humano não me permite. então eu desejo realmente que você seja feliz. que você encontre alguém menos complexa e mais solúvel. a gente era óleo e água, completamente opostos. não tem lei na química que explique essa nossa química.
to com uma saudadezinha. adianto cada situação grotesca na minha mente, sempre estou preparada emocionalmente pra qualquer coisa. agarro o chinelo e meto a cara no medo. que nada, sou uma retardada mesmo que não tem no que pensar. é, sem eufemismos banais. saudade de gostar de um babaca. daquele babaca. eu explico: quando você gosta de um babaca, você se sente viva. tudo fica mais intenso. você quer matar, mas a la osama bin. amar, só se for pra quase enfartar. chorar até ficar com cara de sapo. era só você sabe. eu era intensamente feita do dia pra você. agora sou eu. eu, eu mesma e sem você. você me cansava demais, me pesava demais, mas nunca me doeu demais. mentira, uma vez só. quando eu descobri que não tinha jeito. mas nem pra discordar de mim você prestava. meu peito desatou todos os nós. tô tentando ver se alguma coisa desperta uma lágrima que valha a pena. que nem aquelas telefonistas cheias de gerúndios pra estender o mínimo de ânimo. é que eu tenho odiado o gerúndio. sei lá. puta doidera isso. loucura vai bem com a essa minha cara de pseudo-intelectual-metida-de-franja. mas eu to tão bem, tão leve que eu sento e espero toda essa vontade passar.
não, eu não quero que todo aquele inferno volte. eu era apaixonada por você. hoje eu apenas te amo e nem sei se isso é amor. amor é menos porra louca e não é tão egoísta quanto eu. é que é impossível não olhar pra trás depois de tanto tempo. mas de uma coisa eu tenho que agradecer: se não fôssemos tão opostos e tortos essas linhas atravessadas não iriam se cruzar. não mesmo!
um beijo a todos, com muita poesia aos próximos cem!
muito obrigada a todos que lêem e comentam aqui.

segunda-feira, 9 de junho de 2008

colarinho

às vezes me canso do vazio de mim, me encosto num boteco e meu copo de vida se enche. me encho de tanta resposta atravessada e arisco um palpite no coringa. às vezes a sorte me torna intrínseca de uma vida inventada. eu me re-invento, me atiro a tocar no cinza mas prevalece o vermelho-sangue, grata. o cheiro de mofo me dá alergia, dou um espirro que elimina toda a melancolia. Já consigo inspirar as impurezas do mundo e quase abro um sorriso por exaustão. Ah, mas que seja engano, a mariposa pousa no meu ombro e me faz correr pra vida. o sol sorri intensamente pra mim, mas passo fator 50, a gente desacostuma com a luz depois de tanto tempo na escuridão. abafo sujeitos ocultos e gerúndios redundantes, mas hoje, aah gramática que me permita, hoje quero o presente imperfeito e sem medo. – traz 2 desse aí garçom, vá que eu me convença de tanto amor! - medo é desgraça do mundo. tristeza é a realidade sem auto-estima, precisa pisar em alguém pra estufa o peito de lacunas vazias. palavras ásperas não machucam mais. consinto o gosto na boca. Respiro todo ar que resta de vida e transpiro até a ultima gota o amargo dos fatos.
- ei, garçom! me traz mais uma gelada, acende esse cigarro, que hoje eu quero falar um pouco de prosa...

----------
eu acordo no meio na noite sozinha e penso: sempre há tempo pra mudar.
fecho os olhos sem medo e a vida pega carona...

"deixa ser como será, eu vou sem me preocupar, então tentar prever serviu pr'eu me enganar..." - Los Hermanos

terça-feira, 27 de maio de 2008

olhos dos verdes

é porque o teu cheiro que fica quase entre a orelha e a nuca me sedou e eu quase que pude ser feliz de novo. você quase me fez esquecer do quanto o mundo é medíocre e as pessoas são egoístas e eu quase deixei de odiar o meu ódio de não ter nenhum problema interessante. e você quase me fez lembrar do quanto é preciso pouco pra viver em paz. eu quase larguei mão do meu orgulho ferido e quase te implorei pra você nunca me deixar ir sem sua mão. eu quase me apaixonei pela idéia que eu faço de você. eu quase chorei de emoção quando você me olhou tão profundamente e eu me senti completamente nua (e tua). eu quase perdi a razão quando tocou N só porque essa foi nossa quase música. eu quase desejei com todas as forças continuar ali, pra sempre, abraçada com você. foram quase 11 segundos de um quase-amor iminente quando a realidade despertou e gritou na minha cara que era hora de voltar, e o relógio quase voltou funcionar perfeitamente. são os quase milímetros de sanidade que nos deixa tão distantes a ponto da gente quase não conseguir se largar.é que o quase nunca é o inteiro mas eu quase gosto de me dividir em 2 metades pra que você sempre lembre que quase me tem inteira.
é porque eu quase morro de saudade do nosso amor que quase que nunca existiu.

"e agora como eu posso te esquecer? (...)"

...eu quase acredito que é possível não ser você