Carolina sentou ao lado dele, redigiu palavras embaralhadas que se dava pra ver na expressão de Pedro sentido algum.
A única coisa que pensou e logo depois conseguiu pronunciar foi "caderno". E ele atendeu suposto pedido, passou o caderno a ela que começou a escrever tal carta que só foi lida 3 dias depois num ônibus de volta pra casa.
"Bem, não é que seus olhos não sejam lindos, mas é que não posso observa-los. Acredite nesta carta apesar de serem só palavras, quantos são os atores que ja reproduziram tudo isso de modo apenas a brincar no palco. Mas se eu pudesse, diria tudo isso a publico, não atuando, tão pouco lendo, apenas dizendo com você ai ouvindo, ao inves de estar não entendendo.
Criei um medo, como quando se cria uma planta. Desde a semente até o seu colher. E eu tenho colhido esse medo, esse tempo todo eu tenho carregado os frutos por ai. Não que eu queira, que eu não me canse de comer sempre a mesma coisa. Mas se é tudo o que eu tenho, acho que resolvi preservar. Até te conhecer, é claro.
Porquê alem de sentir todas aquelas coisas que eu senti, que eu já te disse debaixo da arvore no aniversario da Helen, eu queria jogar tudo fora, tudo que eu já construi, tudo que eu me tornei plantando e colhendo medo. Medo de perder algo, medo de arriscar, medo que me vissem por ai deixando de ser a independente atravessando a rua, com o seu orgulho brilhando atraves da blusa.
Então eu quase vomito e choro por pensar assim. Mas eu respiro fundo e esfregos as mãos, penso um pouco no que já construimos juntos nesse meio tempo e tudo passa e essa é a hora em que você esta indo embora mais uma vez. Eu sei que você vai voltar! Eu me sujeito a sorrir, os meus olhos se enxem d'agua. Você pode tardar mas, a luz da sacada vai estar acesa, a comida vai estar quente no forno e a roupa pronta. E eu prometo, vou sempre estar de braços abertos, talvez eu fique muda e desvie o olhar, mas você sabe, não é por falta de afeto, é o cegar do excesso dele que me fez o que eu sou hoje. Um pouco sem palavras, com todos os gestos.
domingo, 28 de dezembro de 2008
segunda-feira, 8 de dezembro de 2008
chiclete
e naquele dia em que borboletas azuis diziam bom-dia ao seu quintal, que o pôr-do-sol foi-se mais tarde, que a chuva levou um sorriso, e a saudade fez-se arrancar uma lágrima doída. nessa segunda feita pra viver, feita de esperanças, nesse dia que nunca voltará, no seu último ano de escola, no cheiro de pitanga nos cabelos e água de cheiro entre as orelhas, na angústia de uma ligação, no medo do alô e a aflição do beijo, no meio de tanta coisa confusa e embaraçada, entre as lacunas de palavras dispersas no ar, no coração na boca disparado quando escuta o nome, eu quis te entregar ao meu destino, quis escolher a nossa sorte. em meio ao meu excesso, com toda essa coisa de não entregar para não estragar, mas quer saber? eu quero gritar pra dizer que é você!
terça-feira, 18 de novembro de 2008
Declaração pessoal
Ok, resolvi entregar o jogo. Não aguentava mais guardar isso pra mim mesma. Eu não estou amando, sequer apaixonada, eu estou louca, zureta, biruta. Perdi o controle de tudo. Eu não te amo de verdade, só amo o modo como você fala me dizendo que eu não tenho noção explicando as coisas detalhadamente e quando você aperta minhas boxexas e dá três tapinhas na minha cabeça só pra me fazer sorrir. Eu adoro só mexer no seu cabelo enquanto vocÊ deita no meu colo, e quando a gente come algo junto, eu adoro a sua boca, você já viu o formato dela ? Eu não esqueço de lembrar todas as vezes que eu penso em você de como você fica irritado quando eu faço cocegas em você, de como você se sente intediado deitado comigo quando a gente não pode se beijar. E o seu beijo foi o melhor que eu já experimentei. Eu fico pensando no nosso primeiro beijo, e eu não me lembro de nada do filme, porque eu ficava pensando meu Deus o que diabos ele quer comigo ? Ele é todo lindo, todo charmoso, tem cara de inteligente...E tudo mudou! Você chega e você me abraça, e esse perfume e o cheiro do seu xampu, você desembaraça o meu cabelo e o meu domingo..Ahh o meu domingo, eu não quero saber nunca mais o que é dormir o dia todo por não ter o que fazer, ou com quem falar. Eu quero fazer tudo ao seu lado, ou nada ao seu lado. Eu quero beijar muito a sua boca, sair por ai sorrindo com você, não para mostrar que somos um casal feliz, porque isso agente não precisa mostrar, a gente é e pronto. Mas sair com você é uma aventura e tanto. Não porque você dirige mal ou acelera pra eu ficar com medo, mas porque sair com você me da uma sensação de liberdade, e a nossa liberdade é tão grande mas tão grande, mesmo que limitada, que nos prende. É isso que eu sinto, eu me sinto presa a você. Não que isso seja ruim, é como andar com celular, pra ser encontrada, pra me encontrar, você é parte de mim. E eu tenho um medo que você olhe para os lados e encontre uma felicidade maior do que a nossa, porque eu acho que isso não existe, se tivesse um concurso você pode ter certeza que nós seriamos o primeiro lugar. Eu tenho tanto medo que você encontre alguem melhor do que eu, uma mulher mais magra, talvez mais inteligente, que pegue mais no seu pé do que eu. Por quê eu, se eu encontrar alguém melhor do que você, ainda assim eu iria preferir você. Com todos os seus defeitos, virando a boquinha como um bebezãao, ou ainda mordendo a lingua (o que me deixa louca se é o que você quer saber), eu não ia nem pensar em conhecer outra pessoa, é você que me enlouqueceu, que sumiu com o meu juizo, é com você que eu quero dividir toda essa loucura, que eu quero sair e não ter limites, ou ficar em casa e ainda assim não ter limites, é pra você que eu quero dizer e passar o resto da minha vida.
quarta-feira, 8 de outubro de 2008
Bilhete aos de mente pequena
Olá, estou de mudança. Já não suporto mais estar aqui. Tenho medo de lugares pequenos. E pavor de pessoas que pensam com tamanha miudez.
Anote aí o meu endereço, caso queira deliberadamente dar grandes saltos: Rua dos Lírios N°13, Perdizes.
Tudo intensamente, mesmo que o farol esteja apagado.
Anote aí o meu endereço, caso queira deliberadamente dar grandes saltos: Rua dos Lírios N°13, Perdizes.
Tudo intensamente, mesmo que o farol esteja apagado.
sexta-feira, 19 de setembro de 2008
mais uma
tenho essa mania boba de achar o mundo meio chato quando não tenho no que pensar. faço contradição nos meus pensamentos e engulo a vontade de soltar o verbo. só que às vezes isso me sufoca e eu mato gatos a berro. descobri meu vício de escrever pra viver feliz de palavras. o abstrato significado das palavras, eu não consigo passar pra dentro. é momentâneo mas está sempre em mim. todo dia sinto uma saudade louca daquilo que eu não sei bem o que é. o mundo me faz falta porque meu mundo é ilimitado e não consigo lidar com fronteiras invisíveis. é uma sensação estranha e minhas crises psedos-existenciais vêm e passam com certa freqüência, que particularmente, eu gostaria de ter domínio. tudo bem, esse é mais um dos meus textos subjetivos, pra mim mesma e sem nexo que nunca tem solução. taí, a solução é não pensar em tê-la.
"A você, que nunca pensou que o riso também precisa de aquecimento para não se machucar em rugas, que deseja ler de manhã e viver o que se lê de tarde, e que não lê de manhã e nem vive de tarde, e sobra a noite para fazer de noite.
A você, que é uma promessa de cheiro, de chá, que coloca perfume nos pulsos e no pescoço, que tem receio de chorar onde não se chora, de falar o que não se deveria, que se controla e se autocensura para não se entregar.A você, que passou a vida a disciplinar o desespero, que segura a bolsa perto do quadril, que é suave para olhar de canto.
A você, que está aqui e não se resolve, porque não é aqui que está, mas dentro daquilo que procura. Alguns procuram um endereço; outros, um sentido. "[F. Carpinejar]
A você, que é uma promessa de cheiro, de chá, que coloca perfume nos pulsos e no pescoço, que tem receio de chorar onde não se chora, de falar o que não se deveria, que se controla e se autocensura para não se entregar.A você, que passou a vida a disciplinar o desespero, que segura a bolsa perto do quadril, que é suave para olhar de canto.
A você, que está aqui e não se resolve, porque não é aqui que está, mas dentro daquilo que procura. Alguns procuram um endereço; outros, um sentido. "[F. Carpinejar]
quarta-feira, 20 de agosto de 2008
ponto
você me acordou aquele dia no meio da tarde inventando qualquer coisa boba só pra ouvir essa minha voz meio rouca. você me pediu desculpas e continuou dizendo besteiras com seu jeito expansivo. eu sempre quis você, mas nunca entendi porque diabos eu nunca fiz um texto pra você. e você que sempre foi a pessoa que mais lia meus textos e me fazia assinar todos eles, vá que um dia eu vire escritora, imagine só. e eu adoro te irritar dizendo mentiras pra falar minhas tantas verdades. eu vi lírios nos nossos delírios e achei melhor ficar quieta porque eu não queria estragar tudo. você me mandou trufas de doce de leite e essa foi a coisa mais fofa que alguém já fez por mim. o seu excesso ainda cabe inteiro em mim e ainda tem meus excessos pra gente contar. é que você sempre esteve tão ali, que eu nunca me preocupei com meus "e se...", porque você é a certeza. às vezes eu quero te matar porque você conhece tudo que me deixa brava e usa isto a teu favor. eu digo que não sou ciumenta, mas é mentira. eu fico com raiva das suas piadinhas machistas e da sua falta de grude. adoro tua risada escandalosa quando a gente comenta qualquer trivialidade e você aperta a minha mão pra sentir você. e aquele dia besta na cozinha que você me encarou com aquela cara de possessão, eu já estava perdida. te escrevo todo dia nos meus versos em brancos e descubro que as músicas fazem todo sentido por si só. e foi naquele telefonema que eu atendi numa tarde linda pra amar. e disse sim.
terça-feira, 8 de julho de 2008
a vida deve ser maravilhosa?
tem várias coisas neste mundo que eu não entendo, na boa. tipo essas facilidades que a sociedade cria pra dor não existir. eu não viveria sem sofrer. não tem lógica isso. todos nós precisamos sofrer, chorar, gritar pra descobrir, entender essa coisa toda de pra que se vive. e todas essas pílulas anti-melancolia, revistas de pessoas irreais, conselhos da capricho engavetados pré-congelados? meu Deus, que bando de gente hipócrita. quando mais se vende produtos de uma falsa felicidade mais existem pessoas se autodestruindo. porque deve ser horrível fingir ser aquilo que não é. Ninguém chora mais porque chorar tá fora de moda, aliás, pra que chorar? pra se curar talvez? pra absolver essa angústia permanente de não entender nada. somos todos perdidos vivendo num mundo perdido onde ninguém olha pro lado. teatro mais fantasioso, a gente tá vivendo a vida. não é mais um capítulo da novela das oito onde o mal vence. todo mundo tá torcendo pro mal vencer, é um dilúvio de falsas esperanças. o mundo avança na velocidade da luz (que eu não tenho a mínima de quanto é isso). o homem cria coisas que ninguém tem noção da dimensão do problema. então vamos brindar que o ano novo chegou, o crescimento dos peitos, nossas bundas siliconadas e essas caras de botox todas programadas pra serem felizes torcendo pra ninguém reparar nesse olho inchado. enquanto cada vez mais nos reduzimos a pó.
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